sexta-feira, 27 de junho de 2008

O PAPEL DO COMPORTAMENTO DE EXIBIÇÃO DE CONHECIMENTOS NAS RELAÇÕES DE DOMINÂNCIA EM HUMANOS.


Introdução

Como outros primatas, o homo sapiens possui sua sociedade estratificada por uma ordem hierárquica. Por vezes esta ordem é clara e bem definida como no caso das organizações militares ou religiosas. Por outras ela é sutíl e difícil de se determinar como num grupo de amigos.
Seja em que grau for, é muito frequente haver um indivíduo que usufrui de maiores privilégios ou liberdade que os demais, seja por imposição, não oposição ou concessão. E em todos os casos, existem conjuntos de comportamentos que determinam como essas relações de poder são estabelecidas.
Na espécie humana, o conhecimento é tido como uma das principais fontes de poder e ascensão social. Os grandes investimentos feitos na educação das crianças, são mais que evidência de sua importância. Contudo, conhecimento é um recurso efêmero, de difícil observação, sendo, portanto, necessários demonstrar sua posse através de comportamentos de exibição.
Este texto pretende explorar brevemente como os comportamentos de exibição de conhecimentos são utilizados por humanos para estabelecer relações de dominância dentro de seu contexto social.


Dominância

Segundo Wilson (in McGuire & Wallace, 2000), dominância refere-se à habilidade de um membro de um grupo de se destacar sobre os outros ao adquirir acesso a recursos, tais quais comida, parceiros, locais de exibição e procriação, ou qualquer outro fator limitado que aumente o “fitness”.
Num grupo recém formado, é de se esperar que os comportamentos de disputa pelo acesso a recursos sejam acentuados. Em outras espécies de primatas os comportamentos de exibição são mais frequentes com estranhos do que com membros já conhecidos e quando tais comportamentos não são suficientes para estabelecer a dominância, esta é estabelecida geralmente através de lutas. Em humanos, embora luta seja menos frequente entre indivíduos, a história e a observação naive demonstram que nos primeiros encontros entre dois indivíduos, se existe expectativa de um contato mais prolongado, geralmente há grande exibição de posses, conhecimentos, tentativas de atração de atenção social e exibição da aparência física mais elaborada. E quando não se estabelece uma relação de dominância, em geral dá-se lugar a rivalidades e competitividade constante, podendo em raros eventos resultar em luta.
Uma vez estabelecida a relação de dominância e o grupo mantendo-se constante, as rivalidades e cessam. Mesmo em primatas não humanos, basta um comportamento de exibição do dominante para que o submisso detenha seu comportamento, recue e ceda espaço para o dominante. Esta relação estabelece um benefício mútuo, para o dominante a evidente economia de esforço e acesso aos recursos; ao submisso a vantagem é não se expor a riscos que poderiam-lhe ser fatais.
No caso dos humanos, apesar de seguirem um padrão muito semelhante. A relação de dominância nem sempre (e raramente o é) estabelecida por coerção. Muitas vezes a dominância é estabelecida por mérito do dominante em obter um determinado recurso (alimento, dinheiro, atenção social), ou por persuasão onde o dominante opera de forma a ser muito vantajoso submeter-se a ele. Contudo, os conflitos são reduzidos e basta uma exibição de “poder” do dominante para restringir o comportamento do submisso. A razão para isto é evidente no caso da dominância coerciva. Já na dominância não-coerciva, a não disputa do submisso não se deve a uma evitação da luta, mas sim à manutenção das vantagens em se associar ao dominante.
Um dominante que tenha maior capacidade de adquirir alimentos, afastar ameaças e obter atenção social, certamente oferece vantagem para os que o seguem. Há evidências (Cristol 1995 in ) de que um certo grau de dominância pode ser obtido pela associação a um indivíduo hierárquicamente superior. Uma das explicações possíveis para isto é que o indivíduo dominante reage de forma diferente a indivíduos que lhe são familiares, como numa espécie de “nepotismo natural”.
O benefício para o subortinado é ainda maior quando este pode adquirir repertórios comportamentais do indivíduo dominante que possibilitem aumentar seu “fitness”. Sendo o ser humano uma espécie com grandes competências halomiméticas e dotada de linguagem (uma ferramenta de manipulação de comportamentos) associar-se a indivíduos excepcionalmente competentes, pode ser o primeiro passo para ascender à dominância.


Conhecimento

Etológicamente pode-se definir o conhecimento como a capacidade para executar um determinado comportamento (aprendido), em um dado contexto e obter um resultado específico. Estas três dimensões são importantes, para discriminar conhecimentos de forma objetiva. Nem todos os indivíduos conseguem desempenhar um dado comportamento, mesmo os que conseguem nem todos são capazes de executa-los em todos os contextos em que este comportamento é relevante e mesmo que executado no contexto apropriado, as diferentes competências no desempenho do comportamento levam a resultados distintos. Podemos entender que qualquer variação seja no comportamento, no contexto onde é exibido ou no resultado obtido pelo mesmo, descrevem diferenças no conhecimento do indivíduo.
Torna-se assim evidente o valor adaptativo que o conhecimento possui para um indivíduo. Seu possuidor poderá possuir maior ou menor competência em adquirir outros recursos importantes para a sobrevivência e reprodução. E sendo uma competência aprendida, possibilita variação no fitness mesmo entre indivíduos geneticamente semelhantes, onde a variação não é significativamente relevante para a dominância.
Sendo o conhecimento um que garante uma certa performance, os grupos humanos investem grande tempo, empenho e recursos em manter e passar conhecimentos para as gerações seguintes. A educação é uma forma de garantir um maior fitness da prole, mesmo em desvantagem genética (como ocorre com pessoas portadoras de necessidades motoras ou sensoriais especiais).
Uma vez que o conhecimento pode ser aprendido e passado é muito vantajoso saber localizar as boas fontes de conhecimento e ter acesso a elas. O apreço social por indivíduos excepcionalmente competentes pode ter sido selecionado, talvez, do maior fitness produzido naqueles que de forma submissa se associavam a estes indivíduos. Ou pode ser um efeito secundário da proximidade que estes indivíduos excepcionalmente competentes possuem com os recursos importantes.
Contudo, o conhecimento é um recurso intangível. Com exceção da observação do desempenho do comportamento ao qual diz respeito, não há forma de discriminar entre dois indivíduos imóveis, qual dos dois possui um determinado conhecimento e outro não. Por esta razão, e para que o indivíduo possuidor de um conhecimento possa se beneficiar do ganho social que a posse deste conhecimento possa lhe proporcionar, este indivíduo tem que deliberadamente fazer exibições de que o possui.


Possíveis origens do comportamento de Exibição de conhecimento

Não existe qualquer estudo para a origem ou como se formam os comportamentos de exibição de conhecimentos, contudo, através de uma observação naive, podemos fazer especulações que abram campo para uma futura investigação mais detalhada.
Tenho a hipótese de que a exibição de conhecimentos é um sub-produto do desempenho do comportamento em si e do apreço social imediato a tal desempenho. É fácil observar crianças entre 2 e 8 anos exibirem o que são capazes de fazer para seus pais (Shaffer & Kipp 2006) e outros adultos sem qualquer outra vantagem associada ao desempenho do comportamento que não a atenção social. Tratando-se de uma criança e por isso dependente de cuidados de adultos, fica evidente a vantagem que é a posse de um repertório comportamental capaz de atraír atenção social, e portanto cuidados. Crianças mais exibicionistas podem ter tido mais chances de sobrevivência graças a maior atenção social que recebiam.
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Contextualização do conhecimento e da exibição de conhecimento

Nem todo o conhecimento é relevante a todo o tempo. Ser capaz de escalar uma parede é de pouca relevância para alguém cuja maior necessidade seja saber lidar com seu filho. Uma vez que o conhecimento envolve sempre um contexto (ou grupo de contextos), sua exibição e eventuais ganhos estão relacionados a eles ou a grupos de pessoas que tenham necessidades de desempenho em tais contextos.
Assim, é de se esperar que alguém que demonstre seus conhecimentos a respeito de como ficar mais bonito num contexto acadêmico seja menos apreciado do que se estivesse em um salão de estética.
Eventualmente, há exibições de conhecimentos fora do contexto específico. Num primeiro contato verbal, podemos supor que exibir de forma geral seus conhecimentos permite obter “feedback” do interlocutor a respeito de qual conhecimento ele mais valoriza, e de posse desta informação, as exibições se tornariam mais específicas na tentativa de obter melhor posição de estatuto.
O contexto também é importante para esclarecer que a dominância entre humanos, apesar de poder ser estável dentro de uma relação hierárquica inflexível. Quando se trata apenas do fator conhecimento ela é flexível segundo o contexto. O melhor aluno de matemática se destaca em seu grupo, sendo mais requisitado e elogiado diante de um exame final de álgebra, enquanto que o mesmo pode ser totalmente ignorado instantes depois em prol de outro que é melhor em história.


Disputas de exibição de conhecimento

A exibição de conhecimento pode assumir muitas formas. Das mais simples como os comportamentos exibicionistas de uma criança de 6 anos (amplamente conhecidos e estudados por Jean Piaget, Sigmund Freud e seus sucessores) ou uma breve palestra sobre um dado assunto, até as mais complexas como a construção de ferramentas que permitem exibir um dado conhecimento e relaciona-lo à sua fonte.
Gostaria de dedicar um pouco mais de atenção a estas ultimas. Fora a linguagem, a espécie humana desenvolveu inúmeras ferramentas que facilitam a comunicação entre indivíduos. Televisão, livros, jornais, internet, etc. Todas com a capacidade de influir no comportamento de terceiros a grandes distâncias no espaço e no tempo. Contudo, por alguma razão que escapa o escopo do presente texto, construiu-se o hábito de relacionar a informação apresentada com sua fonte. Tornando os meios de comunicação mais um instrumento para a exibição de conhecimentos.
A comunidade científica é notória neste sentido. Existe grande esforço em rastrear a fonte de informação e grande disputa entre seus membros pela posse de um dado conhecimento. Não é invulgar a publicação de artigos de outros autores, publicações incompletas ou mesmo com estudos feitos a pressa. Sinais que indicam que de algum modo, exibir a posse de uma dada informação é, em alguns casos, mais importante do que de fato tê-lo.
Considerando que a comunidade científica recebe seus recursos em função de sua produção, e uma das formas de produção mais importante é a exibição daquilo que descobrem ou inventam. É de se esperar que os comportamentos competitivos em termos de exibição de conhecimento sejam mais notórios entre cientistas do que entre atletas de alto nível (onde a competição é evidente e institucionalizada).


Conhecimento secreto. Exibição de posse de conhecimento sem exibi-lo.

Quanto mais escasso é um recurso, maior é seu valor. Se entendemos que conhecimento é um recurso, e que em dado contexto um dado conhecimento é necessário, mas somente um indivíduo o detém, enquanto ninguém mais o tiver este indivíduo se beneficiará de uma atenção social maior (Alves, 1996). Se este conhecimento é difundido, o fitness do grupo aumenta, mas o fitness relativo do indivíduo diminui, uma vez que ele perderá a posição de destaque.
Assim, por vezes, desenvolvem-se estratégias de exibição de posse de conhecimentos sem de fato demonstra-los. Mestres de artes marciais que são capazes de derrubar um homem com um toque mas que não mostram a pessoas fora de suas famílias, médicos que falam de remédios milagrosos sem mostrar a fórmula, pastelarias que fazem um doce com um sabor diferente e que ninguém consegue reproduzir, são apenas alguns exemplos de exibição de posse de conhecimento sem exibir o conhecimento, apenas o desempenho. Importante que todos eles atribuem ao conhecimento e não a simesmos o desempenho obtido, sempre referindo-se à técnica, a fórmula ou receita como causa do efeito produzido.
Evidentemente, isto se manifesta nas sociedades modernas nos direitos sobre patentes. Uma vez que é difícil de manter o segredo em uma sociedade competitiva onde o conhecimento é um recurso cobiçado. Estratégias foram desenvolvidas para que mesmo que o conhecimento seja amplamente difundido, apenas aqueles que têm direito de posse ou de criação do conhecimento possam se beneficiar do mesmo e de suas consequências sociais, garantindo assim seu estatuto.


Conclusão

Este pequeno ensaio foi apenas uma primeira exploração sobre o tema sem nenhuma base segura de que o fenômeno de fato ocorre. Como em toda a ciência, a observação casual é o primeiro passo para o questionamento do mundo que nos cerca, de suas relações causais e processos estáveis. E portanto, mesmo não tendo qualquer dado estatísticamente relevante para tirar conclusões definitivas (ou pelo menos, científicamente aceitáveis), entendo que os comportamentos de exibição de conhecimento, não só desempenham um grande papel nas dinâmicas de dominância entre humanos, como também suspeito que esteja presente e sutilmente manifesta em grande parte das interações sociais diárias. Isto poderia explicar, por exemplo, a relativa ausência de comportamentos agressivos entre humanos no que diz respeito à competição pela dominância, quando comparado a outros primatas.

BIBLIOGRAFIA

Alves, A.A. (1996). Brutality and Benevolence: Human Ethology, Culture, and Birth of Mexico. USA, Westport: Greenwood Press.

Goodenough, J., McGuire, B., Wallace, R.A. (2001) Perspectives on Animal Behavior. New York: John Wiley & Sons

Shaffer, D.R., Kipp, K. (2006). Developmental Psychology: Childhood and Adolescence. 7th ed. New York: Wadsworth Publishing.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Sactum of Science

Para os Nerds de plantão, este é o IGC - Instituto Gulbenkian de ciências, ou sanctum lusitano para os Sons of Ether de Mind/Life. Se acha que é pouco, veja mais!

Além de poder estudar neurosciência com algumas das mentes mais brilhantes sobre o assunto no mundo, além de poder estudar cercado pela natureza em um espaço super agradável, além de ter um refeitório com comida boa e barata (o que é raro em portugal), além de aprender a fazer cirurgia, programação, construção de equipamentos eletrônicos para investigação. Além de tudo isso, eu AINDA SOU PAGO!!!!!
Ok, 750Euros não é muito se vc considerar o contexto europeu e se considerar que já sou mão de obra especializada. Mas FODA-SE!!!! O lugar é foda, as pessoas são fabulosas, meu trabalho é fantástico! Acho que nunca fiquei tão feliz com um trabalho quanto estou nesse.

Ah sim! para quem tem curiosidade, este é Joe Paton o meu Sapiente Gurú, ou em outras palavras, meu orientador no Mestrado.

Dá pra crer? o cara tem praticamente a minha idade! E é a prova viva de que cientistas podem não ser nerds. O cara faz desportos radicais, entende imenso de tudo que tem a ver com neurociência e de muitas outras coisas. Não podia ter melhor orientador. O problema é a angústia que sinto ao pensar "em que é que perdi tanto tempo?"

Na próxima mostro o que andamos aprontando por lá!

Abraços

domingo, 22 de junho de 2008

Más Influências




Acreditem se puderem, mas sim, sou eu bebendo cerveja. Noite que começou como "o que vamos fazer hoje", até que derrepente pilas vira e diz "Quanto é que custa para beber neste copo?" ao apontar para o copo grande de cinco litros.




Foi uma grande farra, nenhum grupo jamais tinha conseguido terminar o copo. Viramos logo atração para os turistas ingleses que tiraram inúmeras fotos nossas hehehe.


No final veja o que sobrou de nós...

Para os que tiverem curiosidade, o copo foi 15 Euros. Caro, mas quem liga?
Abraços

Nos capítulos anteriores (ou o que fiz até então)


Já se passou quase um ano! Desde o dia 28 de Julho do ano do Senhor de 2007 que estou na terra de Vasco da Gama e dos pastéis de belém.
Minha primeira semana foi uma seca (um tédio). Para começar, era verão e fazia 14 graus de noite (acreditam nisso?) e passei mal quase todos os dias por causa do JetLag, sem falar que estranhei muito o fato de ter dias que vão até as 22:00h !!! Mas ok! isso passou :D
Como eu ainda não tinha o passe dos transportes públicos, que é um cartão que vc paga mensalmente tipo uns 50 euros e pode viajar livremente por aí. O que me restava a fazer era ir para a praia, de novo, com a água gelada, por volta dos 15 graus hehe.
Aprendi a surfar logo nas primeiras semanas. Aliás, tenho que dar continuidade a isso...
Uma surpreza agradável, aqui topless é permitido e as tugas são gatinhas (dá a sensação de que estamos o tempo todo andando na barra da tijuca), e não Lam, elas não têm bigodes!
Aqui tem várias lojas de artigos esportivos. E numa delas conheci Jesus, não o sujeito comunista de barba e cabelos compridos, mas sim um senhor (mórmon, lembram-se? eu tbm já fui um) que praticava tiro com arco. Acabou que me ensinou a atirar com o arco! Caras é um esporte e tanto, pra quem jogou muito RPG é umas paradas mais maneiras de se fazer.
Bem, passado a primeira semana e com o passe na mão, comecei a correr pelas universidades em busca do mestrado perfeito. Originalmente o plano era fazer inscrição no mestrado em psicologia do desporto, mas quem disse que consegui? tava tudo supostamente acertado quando saí do Brasil para isso, MAS... quando lá chego... dizem-me na maior cara de pau que o mestrado não abriu este ano! não é lindo? Então o que fiz? bem, fui aproveitar o tempo e fazer turismo.
Procurei várias universidades e as únicas que ainda tinham inscrições abertas para o mestrado eram o ISPA (instituto superior de psicologia aplicada) e o ISCTE (que não faço a menor idéia do que significa). Inscreví-me nas duas. Pronto para apresentar ante-projeto de tese, carta de referência, currículum etc e tal. Mas só olharam para a minha média final do curso e disseram "ok, vc passou". Prático não é? :D
Acabei que tinha que escolher entre ser um cientista e ser um executivo. Advinha o que escolhi??? Ser um cientista né? entrei para o mestrado em Psicobiologia, que é uma forma simpática de dizer que psicologia e biologia se integram de alguma forma.
Nada prático foi a burocracia que precisei passar para conseguir o cartão mágico que diz que eu posso ficar em território português (mas isso é para um próximo blog). Aliás, penso que vou fazer um tutorial de como ser um estudante estrangeiro em Portugal, quem sabe até rende uns euros hein? :D
Bom, meu primeiro papel mágico (após tipo uns 4 meses de trabalho árduo para obtê-lo) me permitia estudar, mas não trabalhar (não é lindo?). Então o que restou foram os sub-trabalhos. Sim, tenha medo! muito medo!
Meu primeiro trabalho foi como auxiliar de instalador de ar condicionados. Basicamente o que eu fazia era carregar peso, aparar pedras que caiam do lado de fora do prédio e afastar pessoas na rua, para elas não serem apedrejadas. Preciso dizer que não fiquei mais do que um dia? ganhei 15 euros pelo primeiro dia de trabalho :P
Bem, meu segundo trabalho não era grande coisa tbm. Mas pelo menos não corria o risco de morrer por um tijolo caído do 6º andar. Foi como operador de Call center (telemarketing). Este é o emprego mais fácil de conseguir. Precisam de centenas de pessoas todos os dias, não interessa seu sotaque, tem oportunidade de trabalho em meio período e o trabalho é fácil. Ideal para quem é imigrante novato.
Bem, fiquei lá por uns 5 meses até meu visto sair. Mas antes!!!! Consegui meu outro trabalho! Monitor de um ginásio de escalada indoor!!! Oh YEAH! era um trabalho de 40 horas semanais (lembre-se que ainda trabalhava simultâneamente no call center 20 horas semais e ainda estava a cursar o mestrado). Aprendi imenso (um jeito luso de dizer muito) sobre escalada, e virei adepto do esporte, é simplesmente incrível!! Aproveitei que tinha desconto de 20% na loja e comprei quase todo o equipamento! agora só me faltam os expressos e o crash pad. E o himaláia será o limite Muhahaha!
Não preciso falar que durante este tempo esqueci o que era ter vida... Trabalhava 14 horas por dia. Era chegar em casa e desabar na cama! Mas acabou que valeu a pena. Consegui juntar um dinheirinho e com isso consegui alugar um quarto no centro de Lisboa, aliás, quem tiver interesse basta olhar no google earth Rua Morais Soares, Lisboa. Isto me poupou 4 horas de viagem todos os dias, pois antes eu morava na charneca da caparica que fica a 2 horas daqui de transportes públicos (uns 20 minutos de carro). E não! não dava pra ir a pé, tem uma ponte no meio.
Como se não bastasse, consegui uma bolsa no ISPA (YEAH! não pago mensalidade!) e uma bolsa de investigação, ou seja, Ganho para fazer pesquisas no IGC - Intituto Gulbenkian de Ciências (simplesmente o lugar mais legal do mundo). Desde então tenho estudado muito para tentar manter alguma média nas provas (não tem dado muito resultado, mas vamos ver).
AH! sim! mudei de sistema operacional! Linux rules!!! heheheheh
Bem, por alto e por hora é isso! abraços pessoal!

Prefácio

Ok, atendendo a pedidos, aqui está o lugar onde registrarei todos os momentos (ou pelo menos alguns) de minhas aventuras, e desventuras, por terras lusitanas.

Quiron, segundo a mitologia, era filho do Cronos com a ninfa Filira. Originalmente um deus da medicina, na mitologia grega foi concebido como um centauro imortal de inteligência e sabedoria notável.

De seu nome derivam várias palavras como quiomancia, quiroprática e quirurgia que veio a se tornar cirurgia. Representa a união do intelecto com o instinto, da razão com a paixão. É a mão que realiza com perfeição o que a mão guia.

Sempre gostei do símbolo e sempre o utilizei como referência. E aqui, longe de casa e das coisas que me são familiares, tê-lo como inspiração nunca foi tão útil.

Assim, inauguro meu blog. Garanto o início, o fim só a estrada é capaz de dizer.

Boa viagem!